Como Escrever um Conto de Terror em 10 passos

Como Escrever um Conto de Terror: Insights do “O Terror das Marianas”

Introdução:

O conto “O Terror das Marianas”, de Eber Urzeda dos Santos, oferece uma janela fascinante para o mundo do terror literário, ecoando os mestres do gênero como H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe. Neste artigo, exploraremos como os elementos de terror são tecidos nesta narrativa, proporcionando insights valiosos para escritores aspirantes no gênero.

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1: Atmosfera Opressiva no “O Terror das Marianas”

O conto “O Terror das Marianas”, de Eber Urzeda dos Santos, é um ótimo exemplo de como deve ser a criação de uma atmosfera opressiva, que captura os leitores e os imerge em um mundo onde o terror transcende o sobrenatural para refletir as realidades cruéis da violência de gênero, racismo, classismo e a indiferença do mundo contemporâneo.

1.1 Espaço Físico Como Metáfora da Opressão:

Santos usa o espaço físico — um cubículo inundado por lama — como uma metáfora vívida para a opressão. Este confinamento não é apenas físico, mas também simboliza as limitações impostas pela sociedade. “Foi tudo tão rápido: eu cantava, bailava… quando vi um lamaçal tenebroso devorar meu telhado.” Aqui, a lama que invade o espaço vital da protagonista representa as forças opressivas da sociedade que sufocam e limitam os indivíduos.

1.2 Reflexão da Realidade Social:

Ao longo do conto, Santos espelha a realidade social em sua narrativa. A protagonista reflete sobre sua condição como mulher, negra e pobre, e como estas identidades moldam sua experiência. “É um curto período de felicidade… para eles, somos apenas Marias e Madalenas”. Essas reflexões criam uma atmosfera de desesperança e resignação, intensificando o horror do conto.

1.3 Uso de Linguagem para Construir Tensão:

A linguagem usada por Santos é carregada de tensão e desespero. Frases como “a dor dos cegos” e “a morte violenta” são carregadas de significado e emoção, construindo uma atmosfera densa e pesada que reflete o estado mental da protagonista.

1.4 Conflito Interno e Externo:

O autor traz um equilíbrio entre os conflitos internos e externos da protagonista. O conto não apenas descreve a luta física para sobreviver, mas também a batalha interna contra a resignação. “Pergunto-me: o quanto quero sofrer com este afeto?” Este conflito interno aumenta a sensação de opressão e desamparo.

1.5 Representação de Traumas Sociais:

O conto incorpora elementos de traumas sociais, como a violência doméstica e a desigualdade, que contribuem para uma atmosfera de medo e angústia. “Uma criança, ao ver a mãe ser violentada e morta pelo próprio pai, descobre, para seu assombro, que a vida é um jardim de horrores.”Essas descrições vívidas colocam o leitor diretamente na experiência da protagonista, aumentando a sensação de terror.

Conclusão 1:

“O Terror das Marianas” é um exemplo exemplar de como uma atmosfera opressiva pode ser criada em um conto de terror, não apenas por meio de elementos tradicionais de horror, mas também refletindo as duras realidades sociais. Santos costura uma narrativa que é tanto uma história de terror quanto um comentário sobre a violência de gênero, racismo, classismo e a falta de empatia na sociedade contemporânea. Essa abordagem torna o conto profundamente relevante e assustador, pois reflete horrores que são muito reais e presentes em nosso mundo.

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2: O Desconhecido e o Inexplicável em “O Terror das Marianas”

O conto “O Terror das Marianas”, de Eber Urzeda dos Santos, destaca-se por sua habilidade em explorar o desconhecido e o inexplicável, elementos fundamentais no gênero de terror. Esta narrativa imerge os leitores num universo onde o medo e a incerteza são predominantes, retratando o terror não apenas como uma entidade sobrenatural, mas como uma manifestação das inquietações e incertezas humanas.

2.1 Emprego do Inexplicável como Elemento de Terror:

Santos utiliza o inexplicável para criar uma sensação de desconforto e medo. Por exemplo, a descrição do lamaçal que devora o telhado da protagonista é um acontecimento surreal que perturba tanto pela sua natureza inesperada quanto pelo seu significado simbólico. “Vi um lamaçal tenebroso devorar meu telhado” ilustra uma invasão abrupta e incompreensível, evocando um medo profundo do desconhecido.

2.2 Simbolismo do Ambiente:

O ambiente em ‘O Terror das Marianas’ serve como um símbolo poderoso do desconhecido. A casa, invadida por uma força inexplicável, torna-se um palco para o desconhecido, onde o familiar se transforma em algo completamente estranho e ameaçador. “Só então notei no breu a dor dos cegos” expressa essa transição do conhecido para o desconhecido, destacando a vulnerabilidade da protagonista diante de forças que ela não pode compreender ou controlar.

2.3 Representação da Incerteza e Medo:

A narrativa é permeada por uma constante sensação de incerteza e medo do desconhecido. O autor traduz esses sentimentos em palavras, criando uma atmosfera carregada de tensão. “A tristeza de deixar de existir dói-me, mas é uma dor que não afeta o Natal” reflete a incerteza da protagonista sobre seu futuro e o medo da morte, que é tanto física quanto existencial.

2.4 O Desconhecido Como Metáfora Social:

O desconhecido no conto também funciona como uma metáfora para as ansiedades sociais, como a violência de gênero e o racismo. “Os vilarejos, como óvulos do mal, são dispostos estrategicamente nos sopés” sugere uma ameaça invisível e omnipresente na vida da protagonista, refletindo as realidades sociais opressivas que ela enfrenta.

2.5 A Linguagem Como Ferramenta para o Inexplicável:

A escolha de palavras e a construção de frases são deliberadas para evocar o inexplicável. A linguagem poética e as imagens que ele cria contribuem para a sensação de que algo maior e mais terrível está acontecendo, algo que é difícil de entender completamente. “A lama vai ficando densa e surda ao apelo do não” é uma frase que encapsula a natureza opressiva e inexorável do desconhecido que assola a protagonista.

Conclusão 2:

Em “O Terror das Marianas”, o autor utiliza o desconhecido e o inexplicável como elementos centrais de seu conto de terror. O autor cria uma narrativa onde o medo não é apenas uma resposta a uma ameaça específica, mas uma condição existencial, profundamente enraizada na realidade social e pessoal da protagonista. Este conto demonstra como o terror pode ser usado para explorar temas profundos e perturbadores, fazendo com que os leitores questionem o que realmente conhecem e entendem sobre o mundo ao seu redor.

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3: Fusão de Horror e Realidade em “O Terror das Marianas”

Em “O Terror das Marianas”, a fusão de horror e realidade é uma técnica narrativa poderosa que amplifica o impacto do conto. Este recurso literário não apenas aumenta o elemento de terror, mas também ressoa com o leitor ao espelhar aspectos sombrios da realidade contemporânea.

3.1 Horror Enraizado na Realidade Social:

Santos entrelaça o horror com temas de violência de gênero, racismo e desigualdade social. Por exemplo, a descrição das experiências da protagonista como mulher, negra e pobre revela as camadas de opressão em sua vida. “Para eles, somos apenas Marias e Madalenas” destaca o sexismo e a objetificação enfrentada pelas mulheres, elementos reais que aprimoram o horror do conto.

3.2 Descrições Vividas de Traumas Pessoais:

O autor utiliza experiências traumáticas pessoais para criar uma atmosfera de terror. A narrativa da infância da protagonista, marcada por violência e medo, é um exemplo disso. “Uma criança, ao ver a mãe ser violentada e morta pelo próprio pai…” é uma frase que combina o horror pessoal com uma crítica social mais ampla, ressaltando a realidade cruel que muitos enfrentam.

3.3 O Horror nas Situações Cotidianas:

Santos transforma o cotidiano em algo horrível e perturbador. Ele descreve situações comuns de uma forma que ressalta seu aspecto sinistro, como no trecho: “homens vão para a sala de estar, mulheres, para a cozinha”. Esta frase comum ganha um tom de horror ao ser colocada no contexto da narrativa, refletindo as estruturas opressivas da sociedade.

3.4 O Uso de Simbolismo para Refletir a Realidade:

O conto está repleto de simbolismo que reflete a realidade social. A lama que invade a casa da protagonista pode ser vista como uma representação das forças opressivas da sociedade, como o racismo e o sexismo, que permeiam a vida da protagonista. “A lama, fresca e fúnebre, tratou de congelá-las” ilustra metaforicamente como tais forças limitam e paralisam.

3.5 Conflito Entre Interior e Exterior:

O conflito interno da protagonista, que luta para manter a sanidade e a esperança em um mundo opressivo, espelha o conflito externo. “Pergunto-me: o quanto quero sofrer com este afeto?” Esta introspecção revela a batalha contínua entre a resiliência e a desesperança, um tema universal que ressoa profundamente com muitos leitores.

Conclusão 3:

Em “O Terror das Marianas”, a fusão de horror e realidade de Eber Urzeda dos Santos é uma representação da forma como o terror pode ser utilizado para refletir e criticar aspectos da sociedade contemporânea. Através de uma narrativa que combina elementos de terror com questões sociais pertinentes, Santos não apenas conta uma história assustadora, mas também desafia os leitores a enfrentar as realidades muitas vezes aterrorizantes do nosso próprio mundo. Este conto é um exemplo de como o gênero de terror pode ser usado para provocar reflexão e empatia, fazendo com que os leitores reconsiderem o mundo à sua volta.

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4: Narrativa Introspectiva em “O Terror das Marianas”

A narrativa introspectiva em “O Terror das Marianas”, de Eber Urzeda dos Santos, é um aspecto crucial que confere profundidade e complexidade ao conto. Esta técnica permite que os leitores se aprofundem na psique da protagonista, experimentando suas lutas internas e perspectiva única.

4.1 Monólogo Interior e Reflexão Pessoal:

Santos utiliza o monólogo interior para revelar os pensamentos e sentimentos mais profundos da protagonista. Este recurso permite uma conexão íntima com o leitor. Por exemplo, “Aprendi com o sofrimento os significados da arte de viver” é uma introspecção que ilustra como suas experiências moldaram sua visão de mundo.

4.2 Uso de Memórias para Construir Personagem:

A narrativa é pontuada por lembranças que dão contexto à situação atual da protagonista. Santos emprega memórias para adicionar camadas à personagem, como quando ela relembra sua infância: “Lembrei-me logo de minha mãe, aflita e corajosa, a esconder-me debaixo da mesa”. Essas recordações são vitais para entender as reações e percepções da personagem.

4.3 Exploração da Condição Humana:

A introspecção da protagonista frequentemente toca em aspectos universais da condição humana, como o medo, a esperança e a resiliência. “Dois dias se passaram. Mal conseguia mover as pernas…” Este trecho reflete a luta humana contra adversidades, tanto físicas quanto emocionais.

4.4 Confronto com o Medo e a Morte:

A protagonista constantemente reflete sobre sua mortalidade e o medo, o que intensifica o horror do conto. “Olho para o rosto da morte e a vejo cabisbaixa, deixo-a em paz” mostra uma profunda reflexão sobre a vida e a morte, temas centrais no gênero de terror.

4.5 Perspectiva Feminina e Social:

A narrativa introspectiva também serve para iluminar questões de gênero e sociais. A protagonista, ao refletir sobre suas experiências como mulher, negra e pobre, oferece uma visão crítica sobre questões mais amplas. “É um curto período de felicidade, e mesmo que dure apenas alguns segundos… vale a pena senti-lo e gozá-lo” revela uma perspectiva que combina a luta pessoal com uma crítica social.

Conclusão 4:

A abordagem introspectiva de Santos em “O Terror das Marianas” é fundamental para a eficácia do conto. Ao permitir que os leitores mergulhem nos pensamentos e sentimentos da protagonista, Santos não apenas cria um personagem profundamente desenvolvido, mas também envolve os leitores de maneira mais significativa. Esta técnica de narrativa permite que a história de terror seja contada de uma maneira que é ao mesmo tempo íntima e expansiva, destacando a jornada pessoal da protagonista contra o pano de fundo de questões sociais mais amplas.

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5: Horror Existencial em “O Terror das Marianas”

O conto “O Terror das Marianas”, de Eber Urzeda dos Santos, é exemplar na exploração do horror existencial, onde o medo e a angústia não são apenas externos, mas profundamente enraizados na condição humana e nas reflexões sobre a existência.

5.1 Reflexões Sobre a Existência e a Mortalidade:

A narrativa do conto está permeada por reflexões profundas sobre a vida, a morte e o sentido da existência. Um exemplo claro é encontrado quando a protagonista pensa: “Aprendi com o sofrimento os significados da arte de viver, movendo-me pela linha tênue da existência”. Este trecho revela uma luta interna com questões de mortalidade e propósito, elementos centrais no horror existencial.

5.2 O Terror da Solidão e do Isolamento:

O conto explora o medo da solidão e do isolamento, temas comuns no horror existencial. A protagonista, confinada em seu espaço físico e emocional, reflete sobre sua condição solitária: “Encontro-me sentada no chão, com o peito pressionado pelo assento de uma cadeira”. Essa descrição simboliza não apenas seu isolamento físico, mas também seu desamparo existencial.

5.3 Confrontação com a Inevitabilidade da Morte:

A inevitabilidade da morte é um tema recorrente no conto. A protagonista se depara com a iminência de sua própria morte, o que a leva a questionamentos existenciais profundos: “Tentarei manter a vida e negar a morte no exercício da escrita”. Aqui, Santos aborda a escrita como uma forma de resistência contra a inevitabilidade da morte, um tema clássico no horror existencial.

5.4 O Desespero em Face ao Absurdo:

O conto também aborda o sentimento de desespero que surge diante do absurdo da existência. A protagonista, ao enfrentar situações extremas e inesperadas, reflete sobre a natureza absurda da vida: “Dizem que não há encontro possível com a morte: quando a vida está, ela não se encontra, e quando ela chega, é a vida que já não está”. Este trecho demonstra a luta da protagonista para encontrar significado em uma existência marcada pelo absurdo.

5.5 A Busca por Significado em um Mundo Caótico:

Por fim, o conto retrata a busca da protagonista por significado em um mundo que parece caótico e sem sentido. “A mão esquerda, com dois dedos quebrados pela queda, procura na escuridão relevos de linhas e margens no caderninho de receitas”. Este ato de escrever, mesmo em condições extremas, simboliza a luta da protagonista para impor ordem e significado ao caos que a rodeia.

Conclusão 5:

Em “O Terror das Marianas”, Eber Urzeda dos Santos entrelaça o horror existencial com a narrativa, permitindo que os leitores explorem as profundezas da psique humana e seus medos mais íntimos. Através da jornada da protagonista, Santos revela não apenas os horrores externos, mas também o terror interno de enfrentar a própria existência, a solidão e a busca por significado em um mundo muitas vezes inóspito e caótico. Este conto é um testemunho do poder do horror existencial para tocar em aspectos universais da experiência humana, conectando profundamente com os leitores.

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6: Uso de Simbolismo em “O Terror das Marianas”

“O Terror das Marianas”, emprega o uso inteligente e profundo de simbolismo para enriquecer o conto e transmitir temas complexos. Através dos símbolos, Santos não só narra uma história de terror, mas também tece comentários sociais e psicológicos.

6.1 A Lama como Símbolo de Opressão:

Um dos símbolos mais marcantes no conto é a lama que invade a casa da protagonista. “Vi um lamaçal tenebroso devorar meu telhado.” Este elemento não apenas cria uma imagem de destruição e sufocamento, mas também simboliza as forças opressivas da sociedade — como racismo, sexismo e pobreza — que engolfam e limitam a vida da personagem.

6.2 O Cubículo como Metáfora da Condição Humana:

O espaço confinado onde a protagonista se encontra, referido como “cubículo”, é uma metáfora da sua condição humana e social. “Este meu cubículo de morte” não só ilustra seu confinamento físico, mas também representa seu estado psicológico de isolamento e desespero, bem como as restrições impostas por sua posição na sociedade.

6.3 O Caderninho de Receitas e a Escrita como Resistência:

O caderninho de receitas que a protagonista usa para escrever suas memórias e pensamentos serve como um símbolo de resistência e sobrevivência. “A mão esquerda… procura na escuridão relevos de linhas e margens no caderninho de receitas.” Este objeto não é apenas um meio de registrar eventos, mas também uma ferramenta para manter sua sanidade e humanidade diante das adversidades.

6.4 A Mesa e o Forro como Símbolos de Proteção e Memória:

A mesa sob a qual a mãe da protagonista a esconde e o forro do altar que usa para cobri-la são símbolos de proteção e memória materna. “A esconder-me debaixo da mesa e a cobrir-me com um forro…” Estes objetos não apenas representam a proteção física em um momento de perigo, mas também carregam um peso emocional e simbólico, evocando lembranças de cuidado e amor materno.

6.5 As Marianas como Representação da Mulher na Sociedade:

O título do conto e a referência às “Marianas” funcionam como um símbolo para as experiências coletivas das mulheres, especialmente aquelas marginalizadas pela sociedade. “Minha vida foi repleta de sobressaltos, portanto não poderia ter um fim menos trágico, embora comum às Marianas.” Esta representação simboliza não apenas a luta da protagonista, mas também a luta universal das mulheres contra a opressão e a injustiça.

Conclusão 6:

Em “O Terror das Marianas”, o uso de simbolismo por Eber Urzeda dos Santos é uma técnica narrativa crucial que confere profundidade e riqueza à história. Cada símbolo cuidadosamente escolhido não apenas avança na trama, mas também oferece insights sobre os temas mais profundos do conto, como a opressão social, a luta por sobrevivência e resistência, e a busca por significado e conexão humana em um mundo muitas vezes hostil. A habilidade de Santos em tecer esses símbolos em sua narrativa faz de “O Terror das Marianas” um exemplo excepcional de como o simbolismo pode ser empregado para enriquecer o gênero de terror.

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7: Elementos Autobiográficos em “O Terror das Marianas”

A inclusão de elementos autobiográficos no conto “O Terror das Marianas”, enriquece a narrativa, conferindo-lhe autenticidade e profundidade emocional. Esses elementos permitem que os leitores estabeleçam uma conexão mais forte com a história, pois refletem experiências e emoções reais.

7.1 A Protagonista como Reflexo do Autor:

Embora não se possa afirmar que a protagonista seja uma representação direta de Santos, há indícios de que suas experiências e percepções podem ter sido moldadas por vivências pessoais do autor. “Aprendi com o sofrimento os significados da arte de viver” sugere uma maturidade e compreensão que muitas vezes vêm de experiências pessoais profundas.

7.2 Vivências de Marginalização:

As descrições detalhadas da marginalização, como o racismo e a violência de gênero, indicam um conhecimento íntimo dessas questões. “Para eles, somos apenas Marias e Madalenas” pode refletir não apenas a realidade da protagonista, mas também a consciência do autor sobre essas dinâmicas sociais.

7.3 Memórias de Infância e Família:

O conto apresenta memórias de infância que parecem profundamente pessoais e detalhadas. “Lembrei-me logo de minha mãe, aflita e corajosa, a esconder-me debaixo da mesa” pode ser um eco das próprias memórias do autor, utilizado para criar uma conexão emocional com a protagonista.

7.4 O Uso da Escrita como Ferramenta de Sobrevivência:

A escrita, retratada no conto como uma forma de resistência e sobrevivência, pode ser vista como um paralelo à vida do autor. “É preciso coragem para contar às mulheres as coisas da cidade morta” sugere que a escrita é uma ferramenta de empoderamento e expressão, possivelmente refletindo a própria jornada do autor.

7.5 Reflexão sobre a Condição Social e Pessoal:

A introspecção da protagonista sobre sua condição social e pessoal pode ser um reflexo das reflexões do autor sobre tais temas. “A cor da tinta já não importa” pode simbolizar a transcendência das circunstâncias imediatas em favor de uma expressão mais profunda e significativa, que pode ser uma representação das motivações do autor para escrever.

Conclusão 7:

Os elementos autobiográficos em “O Terror das Marianas” são fundamentais para a força emocional e a autenticidade da narrativa. Eber Urzeda dos Santos entrelaça aspectos de sua própria vida e percepções, fornecendo uma camada de realismo e profundidade à história. Isso não só enriquece o conto como uma obra de terror, mas também permite que os leitores se conectem de forma mais significativa com a história e suas temáticas.

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8: Narrativa Não-linear em “O Terror das Marianas”

A abordagem não-linear adotada por Eber Urzeda dos Santos em “O Terror das Marianas” desempenha um papel crucial na construção do suspense e na profundidade da narrativa. Esta técnica, que intercala diferentes períodos e aspectos da vida da protagonista, enriquece a história e envolve o leitor em um processo ativo de desvendar a trama.

8.1 Interseção de Passado e Presente:

Santos habilmente entrelaça o passado e o presente da protagonista, criando um emaranhado complexo de memórias e experiências atuais. “Lembrei-me logo de minha mãe, aflita e corajosa, a esconder-me debaixo da mesa” é intercalado com descrições do momento presente da protagonista, criando um paralelo entre as experiências passadas e as circunstâncias atuais.

8.2 Revelações Graduais:

A narrativa não-linear permite que informações cruciais sejam reveladas gradualmente, mantendo o leitor engajado e aumentando o suspense. Por exemplo, a verdadeira natureza do ‘lamaçal tenebroso’ e seu impacto na vida da protagonista são desvendados aos poucos. “Vi um lamaçal tenebroso devorar meu telhado” inicialmente parece apenas um evento estranho, mas à medida que a história se desenrola, seu significado e consequências tornam-se mais claros.

8.3 Construção de Personagens Através de Fragmentos:

A personalidade e a história da protagonista são construídas por meio de fragmentos de memórias e pensamentos. “A cor da tinta já não importa” é uma reflexão que, embora pareça isolada, contribui para a construção de sua identidade e visão de mundo, demonstrando como sua vida foi moldada por experiências diversas.

8.4 Uso de Flashbacks para Enriquecer a Narrativa:

Os flashbacks desempenham um papel significativo na narrativa, oferecendo insights sobre as origens dos medos e lutas da protagonista. “Uma criança, ao ver a mãe ser violentada e morta pelo próprio pai” é um exemplo de como os flashbacks são usados para fornecer contexto e profundidade à história presente.

8.5 Estrutura Fragmentada Como Espelho da Psique da Protagonista:

A estrutura não-linear do conto reflete a psique tumultuada e fragmentada da protagonista. À medida que ela navega em suas memórias e enfrenta sua realidade atual, o leitor é levado junto nesta jornada descontínua, mas reveladora. “A mão esquerda… procura na escuridão relevos de linhas e margens no caderninho de receitas” é uma passagem que ilustra sua tentativa de dar sentido ao caos que a rodeia.

Conclusão 8:

Em “O Terror das Marianas”, a narrativa não-linear de Eber Urzeda dos Santos é essencial para criar uma experiência de leitura imersiva e complexa. Esta técnica não só mantém o leitor intrigado e engajado, mas também reflete a complexidade da experiência humana, onde o passado e o presente estão intrinsecamente entrelaçados. A construção e o emprego desses elementos de forma não-linear demonstra uma abordagem sofisticada à narrativa de terror, permitindo uma exploração mais profunda dos temas e personagens do conto.

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9: Descrições Viscerais em “O Terror das Marianas”

Em “O Terror das Marianas”, Eber Urzeda dos Santos habilmente utiliza descrições viscerais para intensificar a atmosfera de terror e imergir o leitor na experiência angustiante da protagonista. Estas descrições não apenas pintam um quadro vívido do cenário e das ações, mas também servem para ressaltar o estado emocional e psicológico da personagem.

9.1 Realismo Cru nas Descrições Físicas:

Santos emprega um realismo cru nas descrições das condições físicas e do ambiente, o que aguça os sentidos do leitor. Por exemplo, “Mal conseguia mover as pernas, a lama, fresca e fúnebre, tratou de congelá-las” transmite uma sensação palpável de frieza e claustrofobia, aprofundando o sentimento de desespero.

9.2 Contraste entre o Belo e o Grotesco:

O autor cria um contraste impressionante entre o belo e o grotesco, um método eficaz em histórias de terror. “Alegro-me por isso: é a única data em que nós, mulheres, professoras, negras e pobres, esquecemos das humilhações de um ano inteiro” revela a capacidade da protagonista de encontrar beleza em meio ao horror, o que torna a situação ainda mais tocante e perturbadora.

9.3 Descrição das Emoções através de Metáforas Físicas:

Santos usa metáforas físicas para descrever emoções, criando uma ligação visceral entre o estado interno da protagonista e o mundo externo. “A bolha se fecha aos poucos, a vida aparece e desaparece, são flashes de luzes” ilustra a sensação de sufocamento e a luta pela sobrevivência.

9.4 Detalhamento de Sensações Corporais:

As sensações corporais são descritas com precisão detalhada, tornando a experiência da protagonista tangível. “A mão esquerda, com dois dedos quebrados pela queda, procura na escuridão relevos de linhas e margens no caderninho de receitas” mostra a dor física e a persistência em meio ao sofrimento.

9.5 Uso de Imagens Impactantes:

Santos não se esquiva de usar imagens impactantes para transmitir o terror da situação. “Inspiro o último resquício de ar como minha última alegria em vida, e expiro o resto de toda minha tristeza” usa a respiração como uma poderosa metáfora da luta entre a vida e a morte, levando o leitor a sentir a mesma falta de ar da protagonista do conto.

Conclusão 9:

As descrições viscerais em “O Terror das Marianas” são um elemento-chave que contribui significativamente para a intensidade e o impacto emocional do conto. Eber Urzeda dos Santos demonstra preocupação notável em descrever não apenas o ambiente e as condições físicas, mas também em capturar e transmitir as emoções complexas e profundas da protagonista. Essas descrições enriquecem a narrativa, proporcionando ao leitor uma experiência imersiva e profundamente emotiva.

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10: Final Ambíguo em “O Terror das Marianas”

O uso de um final ambíguo por Eber Urzeda dos Santos em “O Terror das Marianas” é uma técnica eficaz que adiciona uma camada extra de mistério e profundidade ao conto. Esta escolha narrativa deixa o leitor com perguntas não respondidas, estimulando a reflexão e a interpretação pessoal.

10.1 Encerramento Sem Resolução Clara:

O conto termina sem uma conclusão definitiva, deixando o destino da protagonista aberto a interpretações. “Falta-me o ar, o cubículo cumpre seu ciclo” sugere uma conclusão iminente, mas não fornece detalhes específicos sobre o desfecho real da situação, permitindo que o leitor imagine o que pode ter acontecido.

10.2 Reflexão sobre a Vida e a Morte:

O final ambíguo reflete as reflexões contínuas da protagonista sobre a vida, a morte e a existência. “Inspiro o último resquício de ar como minha última alegria em vida, e expiro o resto de toda minha tristeza” pode ser interpretado de várias maneiras, cada uma oferecendo uma perspectiva diferente sobre o significado e o impacto da história.

10.3 Implicações Simbólicas:

O final aberto também carrega implicações simbólicas. “Vejo um triste rostinho de luz ao lado do corpo que deixei, além de um caderninho de receitas” pode simbolizar uma variedade de conceitos, desde a transcendência até a continuidade da luta da protagonista, mesmo após a morte.

10.4 Desafio à Expectativa do Leitor:

O final ambíguo desafia as expectativas tradicionais do leitor sobre a resolução de um conto de terror. Em vez de oferecer um fechamento claro, Santos opta por um final que deixa o leitor ponderando e questionando, uma escolha que aumenta a ressonância e a permanência da história.

10.5 Convite à Reinterpretação:

Um final ambíguo convida os leitores a reinterpretar a história e a encontrar significados ocultos. “O cubículo se fechou” pode ser visto como uma metáfora para o encerramento da narrativa, mas também como um convite para explorar as camadas mais profundas de significado dentro do conto.

Conclusão 10:

O final ambíguo em “O Terror das Marianas” é uma escolha narrativa poderosa que reforça o impacto emocional e intelectual do conto. Eber Urzeda dos Santos usa esse recurso para envolver o leitor em um processo ativo de interpretação e reflexão, tornando a história não apenas uma experiência de leitura memorável, mas também um catalisador para um pensamento mais profundo. Este tipo de conclusão aberta é particularmente eficaz no gênero de terror, onde o mistério e a incerteza são elementos-chave para criar suspense e tensão.

No geral:

Ao analisarmos em profundidade os 10 tópicos essenciais de como escrever um conto de terror, tomando por exemplo “O Terror das Marianas”, de Eber Urzeda dos Santos, temos revelada a complexidade e a riqueza deste conto de terror. A habilidade do autor em tecer uma narrativa que entrelaça terror, realidade, introspecção e simbolismo demonstra a busca do domínio da arte de contar histórias. Contudo, como o próprio autor afirma: “para melhorar como escritor, é preciso ler”.

Portanto, “O Terror das Marianas” é uma obra que transcende os limites do terror convencional, oferecendo uma leitura rica e multifacetada. Eber Urzeda dos Santos entrelaça diversos elementos literários para criar uma obra que não apenas assusta, mas também provoca reflexão e emoção. A análise desses 10 tópicos revela a complexidade da narrativa e o esforço do autor em criar uma obra de terror profundamente enraizada na realidade humana, tornando-a uma leitura essencial para os admiradores do gênero.


Leia o conto “O terror das Marianas” no blog do autor!

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Você está pronto para mergulhar no mundo fascinante da criação de personagens? Se a resposta for sim, então tenho uma recomendação especial para você: explore o conto “O Terror das Marianas”, uma obra envolvente de Eber Urzeda dos Santos. Este conto, juntamente com várias outras narrativas cativantes do autor, está disponível no link Contos de Urzeda.

Ao ler “O Terror das Marianas”, você terá a oportunidade de ver na prática como Santos habilmente aplica os cinco passos essenciais para construir personagens memoráveis. Você será capaz de observar as nuances da protagonista enquanto ela navega pelas complexidades de uma situação aterrorizante, suas interações e conflitos internos, tudo isso dentro de um ambiente ricamente descrito e com uma linguagem que dá vida à sua jornada.

Não perca a chance de aprender com um apaixonado pela arte da escrita. Acesse o conto “O Terror das Marianas” no blog contoseresenhas.com e deixe-se envolver pela habilidade narrativa de Eber Urzeda dos Santos. E lembre-se, que escrever contos de terror é uma arte que pode ser aprimorada com estudo, prática e, claro, a inspiração dos grandes escritores. Boa leitura!


Leia ainda neste blog: Como escrever um conto em 10 passos, clicando aqui!

E como “Criar de Personagens para Contos: 5 Passos Essenciais”, clicando aqui!


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